crítica

Não é a toa que o nome de seu blog é: Se eu fosse um livro. Porque Daniel Farias é ator, antes de tudo. Formado em Direito, declara que ser ator é sua única profissão. E examinar a condição de poeta como quem finge, completamente, até parecer que é apenas um poeta que aprendeu a fingir no palco. Brinca com as metáforas, ri dos poetas que sofrem do mal (anacrônico) do ultra-romantismo e diz que a poesia lhe ocorre “nos dias de folha em branco”. Sua poética é de trabalhador: “Boto verso no compromisso e rimo a reunião de idéias/enquanto rimos do relógio/três horas são seis linhas/pontual só essa vírgula/a tarde estrofe minha.”. Fala de um lugar aparentemente descompromissado, mas o que deseja mesmo é dizer que sua poesia é feita com a matéria do dia. E seu poemas “Achado” confirma o humor e a ironia fina nos seus poemas: “já olhei/embaixo da cama/em cima da mesa/no meio da estante/atrás do sofá/ mas não achei/razão pra reclamar/da vida.” Não é que Daniel esteja livre dos problemas: Gosto de pensar minha poesia como o registro de momentos sob meu olhar, a paralisação do tempo, o recorte de algo essencial e sua reverberação em mim. A poesia é um sinal amarelo. O truque, do ator ágil, é trocar as vestes enquanto o leitor pisca. E sai encantado do espetáculo e do texto.

Eliana Mara, 2011